Psi Psi Psi
- Autoria
- Lucas F. Oliveira
- Dados em direto
- PSI-20 · Euronext Lisboa · a cada 60 segundos
- Programa
- Processing · versão web em p5.js
- Imagem
- 1000 fotogramas pré-renderizados em Blender
Desenvolvida na cadeira de Computação Multimédia, com Miguel Soares e André Sier, FBAUL, 2025–26.
Psi Psi Psi é um programa (dinâmico mas não-interativo ou, pelo menos, não-participativo) que, de modo contínuo e em tempo real, concretiza a transformação de uma paisagem, representativa da flora portuguesa, de acordo com as flutuações do Portuguese Stock Index (PSI-20).
O programa não pretende ser uma ferramenta de análise financeira, nem um registo técnico ou científico de informação, mas um objeto estético que, mais do que representar dados, usa-os como ponto de partida para o desenvolvimento de um corpo (temporal) artístico, em maior medida construído pelo comportamento da Bolsa do que pelo artista.
A peça nasce da atualidade político-económica, da crescente difusão de ideais liberais e da insistente tendência de privatização do setor público. É, mais do que qualquer outra coisa, uma reflexão acerca de como as realidades económico-capitalistas afetam, influenciam e condicionam diretamente as realidades sociais, culturais e, em última análise, territoriais de um país. Não é um comentário sobre alterações climáticas: o que está em causa é a relação que a Sociedade mantém com o Território, entendido aqui como objeto.
Do ponto de vista do visualizador, o programa parece, inicialmente, mostrar apenas uma imagem estática, de uma paisagem montanhosa. Com a passagem do tempo, é percetível, no entanto, que a imagem se vai transformando, progressiva e lentamente, tornando-se mais íngreme ou aproximando-se de uma planície, de acordo com as variações do índice.
Em vez de gerar a paisagem em tempo real, as variações estão pré-renderizadas e o programa simula a transformação. O foco do programa não é a capacidade de cálculo, mas o mapeamento, lento e intencional. O programa não traduz o valor do índice: responde ao seu movimento, e sempre a partir de onde já está. A cada leitura, uma subida desloca a paisagem um terço do caminho que falta até ao relevo máximo; uma descida, um terço do caminho até à planície. Passado o ponto médio, o deslocamento é amortecido. A transição é depois distribuída ao longo dos sessenta segundos seguintes, imagem a imagem, com fusão cruzada. A paisagem que se vê a determinada hora não é, por isso, a ilustração de um valor, mas o reflexo de um dia inteiro de flutuações da Bolsa, que só se entende como acumulação.
Fora do horário da sessão, o programa entra num varrimento contínuo entre os dois extremos do relevo, à espera da abertura seguinte.