









o horizonte em linha, separa-me aberto em dois
- Autoria
- Lucas F. Oliveira
- Local
- Serra da Estrela
- Formato
- Película 35 mm
Realizada para a disciplina de Fotografia, com Rogério Taveira, FBAUL, 2025–26.
O horizonte divide tudo em duas partes: o que o antecede e o que segue para além dele. Tudo aquilo que vemos - o objeto - está na parte anterior do horizonte. Tudo aquilo em que pensamos – a ideia - está na parte posterior.
A existência de uma linha, imutável, mas intangível, que é comum a todos os espaços, mas depende da presença de um observador para que exista, implica chegar à conclusão de que, para além de dividir o visível do oculto, pertence, ela própria, a uma dimensão algures entre o físico e o conceptual. O horizonte existe mais na paisagem ou no pensamento?
Separar o superior do inferior é separar o interior do exterior, separar o céu dos rochedos, separar a espuma do cume, separar as raízes da névoa. É, também, prolongar tudo isto até ao infinito. Separar o superior do inferior é, também, continuar o interior no exterior.
Nesta série de fotografias, a linha do horizonte é pensada como um fio condutor, formal e conceptual, na exploração do espaço visível e oculto, num trabalho de desconstrução da ideia de horizonte que faz com que, na verdade, não se recorra ao horizonte real, se é que ele existe, para compor nenhuma das imagens.